PIVETE
Minha mãe é esta rua
o meu pai já deu o fora,
corro nú de pés descalços,
à procura de uma história.
Trago em mim a dor maldita,
de ser um pária, ser escória,
não conheço ainda a vida,
mas vejo nela a minha escola.
Não entendo meu delito,
nem que crime cometi,
por roubar as suas sobras,
para suprir minhas faltas aqui.
Não me veja como imundo,
ou criaturinha mal criada,
sou apenas uma criança,
que queria ser amada.
Queria poder gozar
a alegria de viver,
correr com suas crianças,
e sem fome poder crescer.
Me ajude, sou peregrino neste chão,
réu deste sistema, maldito como cão
mas sou teu irmão, não me ignores
mas, por Deus, estenda-me a tua mão.
TACCHI, Glaucio. Como eu te amo, 1998
quinta-feira, 1 de abril de 2010
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